
Olha que sensação tomou conta de mim nestes dias...
Uma vez quando eu era pequena, devia ter uns três ou quatro anos minha mãe me levou para praia com nossa família e o momento marcante desta viagem foi eu ter me perdido naquela IMENSA praia, eu tão pequenina estava ali sozinha....sem um rosto familiar por perto, uma mão para me guiar para um lugar seguro. A única coisa que ficou gravada em minha memória foi quando fui conduzida a um posto dos bombeiros e depois de algumas horas minha mãe finalmente me encontrou.
Neste momento um misto de sentimentos nos acometem como: alívio por finalmente estar com a mãe diante dos olhos, raiva por não ter sido um pouco mais atenciosa e ter me perdido, angústia ao imaginar que jamais poderia ser encontrada e felicidade por ser amada e sentir esse amor mesmo num olhar de reprovação quando a mãe consegue falar tudo, sem falar nada.
Hoje aos trinta anos me sinto assim....estendo a mão da direita (para minha mãe) e a mão da esquerda (para meu pai) e NADA.......não sinto nada, não sinto o toque que me traria a segurança, não sinto o calor que me confortaria e me acalentaria. Não sinto nada......apenas um enorme vazio.
A única coisa que eu queria era me sentir segura, sentir que sou amada incondicionalmente e que tenho valor. Me sentia assim alguns anos atrás, quando ia com meu pai na feira e ele sempre me colocava do lado de dentro da calçada, por mais que atravessassemos ele sempre me conduzia para o lado de dentro para me proteger......que cuidado ele tinha comigo.
Da minha mãe infelizmente não lembro de nada concreto, apenas do cheiro dos seus cabelos e do seu perfume. Ahhh as músicas que ela ouvia comigo e minha irmã é claro, são inesquecíveis. A mania de dançar na frente do espelho também segue hereditariamente.
Sinto a presença dos dois sempre que me sinto angustiada e assim sigo vivendo. Entre a saudade e a sensação plena de que sou uma vitoriosa.
Beijokinhas
Cá

Nenhum comentário:
Postar um comentário